Afinal, por que o Brasil não tem carro a diesel?

Um dia você realiza seu sonho e compra um jipe ou uma caminhonete. Certo dia você vai sair com seus amigos, só que antes, precisa abastecer seu possante. Você pede para completar. Com diesel. Você já parou para se perguntar por que só você abastece com diesel e todos seus amigos, que possuem carros de passeio, usam só álcool ou gasolina? É isso que queremos explicar.

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Lá atrás, em 19 de novembro de 1976, a portaria de número 346 do Ministério da Indústria e do Comércio proibiu a comercialização de veículos de passageiros a diesel. Isso aconteceu por conta da crise de petróleo de 1970 em um cenário onde o Brasil importava a grande maioria de seu combustível do exterior. Assim, o governo militar garantia que o diesel ficasse reservado apenas a caminhões e ônibus, evitando problemas de logística pela falta desse combustível no país. Quer dizer, tudo feito de caso pensado pela nossa classe política.

Mas além disso, historicamente, também associavam o diesel com a “fumaça preta” de poluição, assim como barulhos ensurdecedores, o que contribuiu com a desinformação da população sobre o diesel e, de certa forma, à resistência a este combustível por nós, motoristas brasileiros.

Mas vale lembrar que isso não passa de lenda (pelo menos nos dias de hoje). Para se ter uma ideia, no mercado europeu e indiano, os carros a diesel ocupam cerca de 50% dos carros vendidos (em Portugal, estima-se que este número esteja perto dos 80%) e há um aumento do uso do diesel nos Estados Unidos e Coreia do Sul.

Graças a estes mercados, a Bosch estima que a quota de mercado dos carros a diesel cresça a nível mundial dos atuais 3% para 10% em 2018. Além disso, existe também o biodiesel, que foi concebido no Brasil, que é menos poluente que os de origem fóssil (petróleo e derivados), produzido a partir de fontes renováveis, como óleos vegetais e gorduras animais.

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Agora falando de preço: para um motor a diesel trabalhar, as pressões necessárias são maiores do que um motor a gasolina ou um motor a álcool. A relação de compressão da gasolina é 6:1 a 8:1; do álcool é 12:1 a 14:1 e do diesel é de 16:1 a 18:1. Vale reforçar que nossa gasolina não é pura, já que conta com altas porcentagens de álcool misturadas. Para que o motor aguente a pressão, o sistema tem que ser mais robusto e resistente, o que acaba gerando um impacto direto no preço do veículo.

Existem projetos de lei na câmara e empresas que se uniram com o foco de voltar a fabricação de veículos de passeio a diesel no Brasil. Estes já são fabricados, mas para exportação, principalmente os motores. Como não há um interesse imediato nesses motores e o Brasil não está dentro dos países mais inovadores na questão energética, podemos esperar mais de 3 a 5 anos para ver mudanças nesse cenário.

E você, prefere qual tipo de combustível? Está satisfeito com os tradicionais ou queria encher o tanque com diesel?

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